Brasil é a 8ª maior indústria da música do mundo — e o sertanejo está colhendo essa onda
Por Vine Show · 28 de outubro de 2026
O Brasil acaba de confirmar, no relatório da IFPI, sua subida para a 8ª posição no ranking global de mercados fonográficos — um salto que vem se consolidando ano após ano: éramos 10º em 2023, 9º em 2024, e agora ocupamos o 8º lugar, segundo dados compilados pela Pró-Música Brasil. O faturamento do setor em 2025 foi de R$ 3,958 bilhões, um crescimento de 14,1% em relação a 2024 — mais que o dobro da média de crescimento do mercado musical mundial. A indústria chama isso de 16º ano consecutivo de crescimento.
Esse número não é só estatística para analista de mercado. É o retrato de um Brasil que virou, de fato, uma potência musical global — e que sustenta esse crescimento puxado quase inteiramente pelo streaming, que já responde por cerca de 83% da receita há cinco ou seis anos e cresceu 13,2% em 2025, batendo R$ 3,4 bilhões. Até o vinil deu as caras: as vendas físicas são menos de 1% do faturamento total, mas cresceram 25,6%, mostrando que o colecionador físico também voltou a girar o mercado.
O presidente da Pró-Música Brasil, Paulo Rosa, resume o momento dizendo que as gravadoras seguem sendo o motor que financia tanto os artistas já estabelecidos quanto a aposta arriscada em nomes novos — carregando a carreira até que o artista consiga faturar além da gravação, com shows, publicidade e parcerias de marca. É basicamente a lógica que a gente defende todo dia no "Do Nada ao Tudo": ninguém vira hit da noite pro dia, existe um investimento estrutural por trás de cada carreira que explode.
Mas o relatório também aponta pra onde o setor está de olho agora, e isso interessa direto pra quem compõe e produz sertanejo: inteligência artificial e fraude digital. Rosa foi claro ao dizer que o uso de gravações para treinar IA sem autorização é um risco real, e que a concorrência de música gerada por IA já é parte da conversa — ele pede que o Congresso avance com uma legislação que proteja direito de autor sem travar a inovação. Do lado da fraude, o problema é silencioso, mas caro: bots que geram execuções falsas em streaming distorcem o pagamento de artistas, produtores e compositores. Mais de 130 sites de "promoção artificial de streaming" já foram fechados nos últimos anos, 60 só em 2025 — e os casos suspeitos estão indo direto pro Ministério Público.
Pra quem vive do sertanejo — hoje seguindo entre os gêneros mais tocados do país, puxando boa parte dessa receita de streaming — o recado é duplo: o mercado está maior, mais profissional e mais lucrativo do que nunca, mas a profissionalização também significa mais fiscalização. Quem registra obra, mantém contrato em dia e entende como funciona a cadeia de direitos autorais sai na frente justamente agora, que o bolo brasileiro está entre os 8 maiores do planeta.
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