Jorge & Mateus perderam dois réveillons em um dia. O que isso ensina sobre show fechado com prefeitura
Por Vine Show · 4 de novembro de 2026
Na noite de terça-feira (3), os prefeitos de Fortaleza e do Recife gravaram vídeos para as redes sociais com o mesmo anúncio: Jorge & Mateus não vão mais se apresentar nas festas de fim de ano das duas capitais. Em Fortaleza, a dupla estava no line-up do Réveillon 2027, divulgado pela prefeitura no dia 27 de outubro. No Recife, o show estava marcado para 27 de dezembro.
O que pesou foi a repercussão de uma gravação de 20 de outubro em que Jorge declarou seu voto nas eleições. Moradores das duas cidades criticaram a contratação nas redes. Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão disse que o contrato foi desfeito de comum acordo, de forma "absolutamente legal", e citou "questões posteriores que geraram polêmica". No Recife, o prefeito Victor Marques afirmou que não havia mais "clima" para o show. Até a publicação desta matéria, nenhuma das duas cidades tinha anunciado substituto.
Não cabe aqui discutir quem tem razão. Opinião política é decisão de cada artista, e cada um sabe o que quer defender. O que interessa a quem vive de música é outra coisa: entender o mecanismo que fez dois contratos grandes caírem em poucas horas.
Show pago com dinheiro público tem um contratante diferente de todos os outros. Quem assina é a prefeitura, mas quem decide é um político que depende da opinião do eleitor. Num evento privado, o produtor olha para a venda de ingresso. Numa festa de praça, o prefeito olha para a repercussão. É por isso que, no contrato com prefeitura, a imagem pública do artista funciona como uma cláusula que não está escrita em lugar nenhum, mas pesa.
E esse tipo de contrato é grande no sertanejo. Natal, Réveillon, aniversário de cidade, festa junina e festa do peão apoiada pela prefeitura respondem por uma parte enorme da agenda do gênero, principalmente no fim do ano.
O que fica de lição:
Para o empresário, a hora de pensar no cancelamento é antes de assinar, e não depois. O contrato precisa dizer com clareza o que acontece se uma das partes desistir: prazo, multa, devolução de sinal e quem paga os custos de logística já feitos. "Comum acordo" pode ser um bom desfecho ou um prejuízo, depende do que estava escrito.
Para o artista, vale olhar o tamanho da dependência. Uma agenda concentrada em contratos públicos fica exposta a fatores que não têm nada a ver com música: eleição, troca de gestão, orçamento, pressão nas redes. Equilibrar a agenda com eventos privados, casas de show e turnês próprias dá estabilidade.
Para o compositor, o efeito também chega. Show que não acontece é repertório que não toca, e execução que não gera direito autoral para quem escreveu as músicas.
No método "Do Nada ao Tudo", a gente insiste num ponto: carreira na música é negócio. E negócio bom é aquele que não fica de pé só enquanto o vento está a favor.
E você, já perdeu um show fechado por motivo que não tinha nada a ver com o palco?
Fontes: Vagalume, g1
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