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O primeiro contrato que todo compositor sertanejo assina sozinho (e que muita gente erra)

Por Vine Show · 5 de outubro de 2026

Antes de qualquer contrato com gravadora, qualquer feat com artista grande, qualquer selo batendo na sua porta, existe um contrato que todo compositor assina sozinho, sem precisar de advogado nem de empresário: o registro da sua obra. E é exatamente esse passo que mais gente trata como burocracia chata — quando na verdade é a base de tudo que vem depois.

Funciona assim: toda vez que uma música toca em rádio, TV, streaming, show ou até em estabelecimento comercial, isso gera direito a pagamento pra quem compôs. Quem recolhe e distribui esse dinheiro no Brasil é o Ecad — a entidade que centraliza a arrecadação de direitos autorais de execução pública. Mas o Ecad só sabe pra quem pagar se duas coisas estiverem certas: você estar filiado a uma associação de direitos autorais (como Abramus, Ubc, Sicam, entre outras consorciadas do Ecad) e a sua música estar registrada com os dados corretos.

É aqui que a maioria dos compositores — principalmente quem tá começando — perde dinheiro sem nem saber. Música gravada sem registro formal, coautoria dividida de boca e nunca documentada, cadastro desatualizado de editora, ou pior: nome errado na ficha técnica. Cada um desses detalhes é motivo pra um extrato de direito autoral vir menor do que deveria — ou nem vir.

O passo a passo básico é simples de aplicar: primeiro, filie-se a uma associação consorciada do Ecad logo que tiver obra pra registrar, não espera "ficar famoso" pra isso. Segundo, registre cada música com todos os coautores, percentuais de participação e a editora responsável. Terceiro, confira se a metadata da música nas plataformas de streaming está correta — ISRC e ISWC são os códigos que identificam a gravação e a composição, e erro neles é outro motivo clássico de dinheiro que não chega. Quarto, acompanhe seus extratos periodicamente — não deixa pra descobrir um erro só depois de anos de execução acumulada.

Esse cuidado ganha ainda mais peso agora: o mercado sertanejo é, segundo os dados mais recentes, o que mais gera execução no rádio e no streaming do Brasil — ou seja, é o gênero que mais teria a perder se o compositor não estiver organizado nesse processo. E, como tratamos em outra pauta desta semana, existe até um projeto de lei tramitando que discute se o uso de obra por inteligência artificial vai exigir esse mesmo tipo de autorização e remuneração. Quanto mais organizado seu registro, mais protegido você está, hoje e nos próximos capítulos dessa discussão.

No método Do Nada ao Tudo, toda construção sólida começa pela base. No caso do compositor, a base não é talento — isso você já tem. É registro, filiação e organização. É o contrato que ninguém mais vai assinar por você.

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