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O Ecad guarda por cinco anos o dinheiro da música que ele não reconhece. Depois disso, esse dinheiro vai pra outra pessoa

Por Vine Show · 3 de novembro de 2026

Tem compositor perdendo dinheiro sem nem saber que esse dinheiro existiu. Uma reportagem do Portal RND publicada nesta segunda (2) explica como funciona o crédito retido no Ecad, e a regra é mais dura do que muita gente imagina.

Quando o Ecad capta uma música tocando num show, numa rádio ou numa plataforma de streaming e não consegue identificar a obra ou o fonograma, o valor fica parado por até cinco anos. Se ninguém resolver a pendência nesse prazo, o dinheiro é distribuído com correção monetária dentro do mesmo segmento de onde veio. Na prática, vai para os titulares que estavam identificados. Quem não regularizou o cadastro não recebe.

Pra entender o tamanho disso, vale lembrar como o dinheiro de uma música se divide. Autores e editores ficam com dois terços do valor da obra. Intérpretes, músicos e produtores fonográficos dividem o terço restante, que são os direitos conexos. E num show ao vivo, sem fonograma tocando, só os autores recebem. Ou seja: no palco, que é onde o sertanejo mais circula, o compositor é o principal interessado em que a música seja reconhecida.

A reportagem lista as quatro causas mais comuns de retenção, e nenhuma delas é sofisticada:

1. O artista ou compositor não é filiado a nenhuma associação de música.

2. A obra foi cadastrada sem o fonograma ou sem o código ISRC da gravação.

3. O nome está diferente na associação, na distribuidora e na plataforma.

4. A split sheet, o documento que divide os percentuais entre os parceiros, não existe ou não bate com o que foi cadastrado.

O terceiro item é o mais traiçoeiro. Um compositor assina com o nome completo na associação, com o apelido na distribuidora e com o nome artístico no Spotify. Pra uma pessoa, é óbvio que é o mesmo autor. Pro sistema, são três pessoas diferentes, e a música fica sem dono.

O segundo item também pega muita gente. A obra é a composição. O fonograma é a gravação. Uma não puxa a outra automaticamente. Se a música foi gravada por um artista e o ISRC daquela gravação não está ligado à obra no cadastro, a execução pode cair no limbo.

O que fazer agora? O primeiro passo é pedir à sua associação o relatório de créditos retidos. É o próprio titular quem consulta, e a associação informa se há valores esperando para ser liberados. Depois, padronize o seu nome em todos os lugares onde ele aparece e confira se cada gravação das suas músicas está vinculada à obra certa. O relógio de cinco anos está correndo para todas as execuções que ficaram sem identificação.

Na Mais Hit, esse é o trabalho que ninguém vê e que faz o dinheiro chegar: cadastro conferido, fonograma ligado à obra e parceiros com os percentuais alinhados. No "Do Nada ao Tudo", a gente fala que música sem cadastro certo é música trabalhando de graça pra alguém.

Você já pediu à sua associação o relatório de créditos retidos?

Fontes: Portal RND.

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